quarta-feira, 31 de agosto de 2011

De Porto Alegre a Oslo!

Diorge Konrad *

Quanto à atualidade da questão do fascismo, digamos simplesmente que os fascismos (...) não são fenômenos limitados no tempo. Podem muito bem ressurgir atualmente, mesmo nos países da área européia, na medida em que se assiste a uma grave crise do imperialismo, crise que atinge o seu próprio centro (Nicos Poulantzas em Fascismo e Ditadura)


Em finais de junho, um manifesto de um acadêmico de História da UFRGS perguntou o que seria a Humanidade hoje sem a criação dos Eurasianos, forçados a sobreviver “mediante sua capacidade intelectual e - por conseguinte, CEREBRAL’ – formas culturais mais complexas e sofisticadas que os Africanos remanescentes”.


Não ficava por aí sua cantilena etnocêntrica. Como quase sempre, ele vinha acompanhado de seu primo univitelino, o racismo: “... só uma mulher Branca é capaz de gerar um filho Branco para um Homem Branco – a Negra originaria um híbrido ...”, enquanto o interracialismo seria uma “forma de ... EXTERMINAÇÃO RACIAL OU GENOCÍDIO”.


As críticas no interior da Universidade foram intensas, inclusive levando professores a se contrapor publicamente ao conteúdo das afirmações. O caso deixou de ser apenas um debate teórico para virar uma questão disiciplinar.


Em Zero Hora, jornal de Porto Alegre, um leitor, afirmando falar em nome da democracia de pensamento, acreditou que o aluno estava “sendo perseguido, discriminado e tendo seu direito de expressão tolhido”. Outro afirmou, em defesa do acadêmico acusado de racismo, o argumento comum ao século XIX europeu sobre o “processo civilizatório infinitamente superior” destes países em relação à África SubsARIANA.


Se o manifesto por si já causava estupefação, veio em seu socorro o artigo publicado na mesma Zero Hora,“Censores da liberdade de pensamento”, do escritor Luiz Carlos da Cunha, em 10 de julho. Entre algumas pérolas do missivista, chamando o caso da UFRGS de “curioso caso acadêmico”, defendendo o caminho da ciência diante da “reação patrulhadora do pensamento”, continuou a lorota do “aluno ousado pela livre expressão do pensamento” sobre diferenças raciais para entender as diferenças culturais, pedindo sobre o tema um “seminário de altos estudos”. Para isso, indicou condescendente que a “tese provocadora” em discussão podia ser resumida na opção do fator determinante que diferencia as “raças humanas” pelo fator genético ou pelo fator cultural desenhado pelo meio ambiente. Isto é, mais do mesmo, pois deixou ao leitor apenas os mesmos argumentos “civilizatórios” do darwinismo social, o qual via na genética ou no meio ambiente as causas naturais da História. Para o articulista nem uma só palavra sobre a exploração social, as desigualdades econômicas, a ação da conquista colonial ou sobre o imperialismo europeu.


Em edições seguintes, outros vieram em seu socorro: “Se um professor não sabe contra-argumentar seus alunos na Universidade, duas coisas podem estar ocorrendo: o professor sabe pouco ou o aluno está acerto”; “... devemos defender à exaustão o direito de as idéias serem difundidas, mormente no meio acadêmico”.


Passados menos de trinta dias do episódio da UFRGS, eis que na capital do Nobel da paz, em Oslo, e na ilha de Utoya, explosão e assassinatos resultaram em 77 mortos. O autor, Anders Behring Breivik, precedeu aos ataques com um manifesto anti-islâmico e antimarxista, clamando por uma “Declaração de Independência Européia”. Para o extremista de direita, o Brasil seria o exemplo “disfuncional” da catastrófica mistura de raças, o que “paralisa qualquer esperança de algum dia alcançar o mesmo nível de produtividade e harmonia”, como da Escandinávia, da Alemanha, etc.


Suas opiniões tautológicas foram taxadas negligentemente por muitos apenas de “negativas” – uma clara comiseração diante das estapafúrdias idéias racistas e nazistas do terrorista. Nenhuma palavra sobre o fascismo e o nazismo como instrumento histórico de violência do grande capital financeiro em crise, como se viu nas experiências históricas do Século XX. Nada, pois a grande mídia prefere a dissimulação e o ato de loucura como argumento. Terroristas são os que resistem a este capital. Não é por nada que anarquistas e comunistas foram historicamente denominados pelo mesmo conceito.


Poucos dias depois, em 6 de agosto, em um bar do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, jovens skinheads iniciaram pancadaria contra clientes que freqüentavam o local. O grupo agrediu outros jovens, entre eles negros, e esfaqueou um cliente, também negro. Cenas como essa têm se repetido na capital rio-grandense, sendo também vítimas judeus, punks, militantes pela livre orientação sexual, etc.


Quando criticamos em sala de aula o racismo, o preconceito e a discriminação, como nos casos de Porto Alegre e Oslo, muitas vezes somos chamados pejorativamente de “patrulhas’, “politicamente corretos” e “esquerdistas”. Quando afirmamos que o “fascismo está voltando”, se é que ele deixou de existir, alguns nos taxam de alarmistas.


Não é apenas uma questão moral. Se não condenarmos estas idéias imediata e diuturnamente, esta sopa quente continuará recebendo colheradas pelas bordas. Vez ou outra um Breivik, por muitos anos o nazi-fascismo.


Os defensores deste tipo de “liberdade de expressão”, em nome do que chamam de “ciência”, deviam realmente explicar o acontecido na Noruega. Sim, porque não vi e ouvi algum argumento na grande mídia, desde 22 de julho, que fugisse da velha e surrada tese, a mesma tantas vezes repetida em relação a Hitler: a “loucura” de Breivik diante de suas teses e atos assassinos.

* Doutor em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Professor Adjunto de História do Brasil e de Teoria da História do Departamento de História da UFSM - RS.

A escravidão na Zara e a defesa da CLT

Editorial do Portal Vermelho (http://www.vermelho.org.br/editorial.php?id_editorial=961&id_secao=16)

O noticiário está recheado de denúncias contra o uso de trabalho escravo em confecções do estado de São Paulo que produzem roupas voltadas a consumidores de classe média, como as da espanhola Zara. Ao mesmo tempo, avolumam-se os sinais de ataques aos direitos trabalhistas no Congresso, particularmente na Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados, cujo presidente é deputado Sílvio Costa (PTB-PE), criticado por sua atuação nociva aos interesses dos trabalhadores e favorável aos patrões.

Na semana passada, a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagrou, em oficinas de costura das cidades de São Paulo e Americana, no interior do estado, a exploração de trabalhadores em situação de escravidão: eram obrigados a morar na própria oficina; tinham jornadas de trabalho superiores a 12 horas diárias, chegando até a 16 horas; recebiam salários de 458 reais, abaixo do mínimo legal; não podiam sair da casa onde moravam em condições sub-humanas, e por aí vai.

Além da Zara, estão sendo investigadas outras 35 grifes, nacionais e estrangeiras. A lista de crimes e iniquidades parece infindável. Nos últimos anos, as denúncias se multiplicam, envolvendo marcas famosas como a C&A, Nike, Marisa, Collins, Ecko, Gregory, Billabong, Brooksfield, Cobra d'Água, Tyrol e Pernambucanas em ilegalidades semelhantes para alavancar seus lucros superexplorando migrantes principalmente sul-americanos, sobretudo bolivianos e peruanos.

A frequente repetição destes casos escabrosos indica que denúncias, processos, adesão pelas empresas a códigos de conduta, cobrança de multas milionárias, não coíbem a ganância e a superexploração. É nesse quadro extremo que urge a defesa e reforço da proteção da legislação trabalhista e o endurecimento da punição a seu descumprimento.

Não é este contudo o sentido da ação da maioria dos deputados federais ligados aos patrões; são 273 na Câmara dos Deputados, contra apenas 91 sindicalistas. Esta maioria de deputados patronais alimenta a ameaça contra os direitos dos trabalhadores e coloca na linha de tiro conquistas registradas na CLT, como a estabilidade dos dirigentes sindicais, a contribuição sindical (ameaçada inclusive por algumas decisões do Ministério Público do Trabalho), a aprovação do relatório da terceirização de autoria do deputado empresário Sandro Mabel (PR-GO) e que favorece as empresas, a rejeição da regulamentação da Convenção 158 da OIT, e a ameaça de aumento do tempo mínimo de contribuição para as aposentadorias (que iria a 35 anos para as mulheres e 42 anos para os homens).

A maioria esmagadora de empresários deputados, que inclusive ocupam posições estratégicas na Comissão de Trabalho da Câmara, é também o principal obstáculo à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem diminuição dos salários.

Esta é a espada que paira sobre os direitos sindicais e trabalhistas e é contra esta ameaça que o Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) vai percorrer o Brasil em defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que, em 1º de maio de 2013, completará 70 anos. Ela é a verdadeira Constituição dos trabalhadores, diz o coordenador da FST, Lourenço Ferreira do Prado, e os trabalhadores vão ocupar as ruas em sua defesa, das conquistas nela consignadas e pela obtenção de novos avanços na legislação trabalhista.

O exemplo da terceirização, defendida pelos parlamentares empresários, indica a urgência da luta dos trabalhadores: é a mera existência desta maneira de subcontratação que permite a existência de aberrações como os casos envolvendo a Zara e demais grifes da moda.

A união, mobilização e luta dos trabalhadores se impõe para manter e ampliar a legislação trabalhista. Esta é uma agenda que precisa ocupar as ruas de todo o país; a pressão sobre os parlamentares é decisiva e ela só será sentida pelos legisladores quando milhares elevarem suas vozes em defesa da lei atual e da conquista de novos direitos.

Nova “classe média” do Brasil fica na faixa da pobreza francesa

Estudo divulgado hoje pelas agências de notícias informa que a crise econômica arrastou milhões de franceses para a faixa de pobreza. O número de pobres sobe a 8,2 milhões ou 13% da população. Mas é bom notar que os critérios sociológicos daquele país divergem dos usados no Brasil. Aquilo que por aqui o pensamento dominante chama de classe média emergente ou nova classe média não seria mais do que um pobre na França.

Os franceses consideram pobre o cidadão que ganha menos de 954 euros por mês, o que equivale, ao câmbio atual, cerca de R$ 2,2 mil. Já por aqui, uma família com renda mensal superior a R$ 1.126,00 ultrapassa a linha de pobreza e é classificada como classe média pelos critérios usados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), largamente difundidos.

Classe média favelada

Apesar das diferenças relacionadas ao custo de vida, o critério usado pelos franceses está muito mais próximo da verdade e a situação de um pobre naquele país europeu parece mais confortável com que a de um “classe média” emergente do Brasil. Até mesmo porque os franceses não têm de pagar por serviços de saúde de qualidade (é gratuito) e recebem subsídios para o aluguel.

Na capital de São Paulo uma família da classe média emergente não teria renda para alugar um apartamento de dois quartos, que (estimando por baixo) não sai por menos de R$ 1 mil. Não é de estranhar, por isto, que muitos membros da nova “classe média” continuem morando em favelas e cortiços.

Conceito falso

O conceito de classe média que orienta os institutos de pesquisas e prevalece nos meios de comunicação é fundamentalmente falso e serve a propósitos ideológicos conservadores. Ele obscurece o fato de que a mobilidade social dos pobres verificada desde 2002 ocorreu principalmente pela incorporação, durante os governos Lula, de milhões de trabalhadores desempregados às atividades produtivas, bem como o aumento da massa salarial e dos salários, começando pelo mínimo.

Estima-se em cerca de 15 milhões o número de novos postos de trabalho formais gerados entre 2002 a 2010, derrubando a taxa de desemprego aberto nas seis maiores regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife) dos 13% de 2003 para 6,5% em 2011, d acordo com o IBGE.

Mas a julgar pelo conceito dominante, que divide as classes por faixas de renda (A, B, C, D e E), não existe o que chamamos de classe trabalhadora ou proletariado; tampouco há lugar para a classe capitalista ou burguesia. A sociedade seria composta apenas por pobres e classes médias.

Classe trabalhadora

A mobilidade social significou, essencialmente, um movimento no interior da classe trabalhadora. Se julgarmos a realidade pelos critérios marxistas, que diverge radicalmente das concepções dominantes, o que vem sendo chamado de “nova classe média” na verdade é a classe trabalhadora, que vive da venda de sua força de trabalho, submete-se à exploração capitalista e ganha salários que cresceram nos últimos anos mas ainda permanecem em níveis miseráveis. Cerca de 70% dos trabalhadores e trabalhadoras recebem até três salários mínimos no Brasil.

O retrato que Ary Barroso fez da situação da força de trabalho brasileira no belo samba intulado “Falta um zero no meu ordenado”, composto em parceria com o grande flautista e parceiro de Pixinguinha, Benedito Lacerda, data de 1947 mas ainda não perdeu atualidade. Confira a letra abaixo:

Trabalho como louco
Mas ganho muito pouco
Por isso eu vivo sempre atrapalhado
Fazendo faxina
Comendo no "China"
Tá faltando um zero no meu ordenado

Tá faltando um zero
No meu ordenado
Tá faltando sola no meu sapato
Somente o retrato
Da rainha do meu samba
É que me consola
Nesta corda bamba

Fonte - http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=162823&id_secao=2

Renato Rabelo: É urgente a luta por uma nova ordem, o socialismo!

O sistema capitalista e o modelo neoliberal, vigente nas últimas décadas, entraram em um grande impasse, desmoralizando seus apologistas que pregavam sua infalibilidade. Especialmente após a crise econômica e financeira desencadeada a partir de meados de 2007, com epicentro no sistema financeiro dos Estados Unidos, evidenciam-se os limites históricos do capitalismo.

É mais nítido do que em qualquer outro período histórico o abismo que separa o capitalismo e o imperialismo das aspirações da humanidade, e torna-se indispensável e urgente a luta por uma nova ordem internacional e por um novo sistema econômico e social – o socialismo. O capitalismo não é uma formação política, econômica e social eterna.

Cada vez mais os povos e os trabalhadores se aproximarão da encruzilhada histórica: capitalismo – com suas crises e guerras – ou um sistema social superior, cuja alternativa é o socialismo. Neste sentido é essencial extrair ensinamentos das experiências vividas.

Temos convicção que uma das grandes lições que se deve extrair das primeiras experiências de construção do socialismo no século 20 é a ideia de que não há modelo único de socialismo, nem caminho universal de conquista do poder político. As revoluções vitoriosas do século passado, cada uma delas – na Rússia, na China, no Vietnã, em Cuba – seguiram caminhos próprios.

Cada povo e cada força revolucionária construirão seu próprio rumo ao socialismo, e construirá este sistema de acordo com a sua realidade nacional.De um modo geral, a correlação de forças prevalecente no mundo ainda é estrategicamente desfavorável do ponto de vista do amadurecimento das condições para as lutas pela superação revolucionária do capitalismo, da construção de uma nova sociedade.

No entanto, importantes transformações políticas que vem marcando a conjuntura internacional indicam que se estão processando avanços na situação mundial que melhoram as condições para lutar e que se intensifica a acumulação revolucionária de forças.

A luta antiimperialista assume maiores dimensões, aparece como a marca da época, tendência capaz de mobilizar grandes contingentes, de desatar energias criadoras e revolucionárias dos povos.Em nosso país, o Partido Comunista do Brasil, PCdoB, orientado pelo seu programa, está convicto que a luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento é o caminho brasileiro para o socialismo.

Um projeto nacional que fortaleça a economia nacional, promova o desenvolvimento social do povo brasileiro, amplie a democracia e as reformas estruturais como a reforma agrária, a reforma urbana, a tributária, a reforma política e da educação entre outras, e promova a integração das nações sul-americanas e a solidariedade internacional. Por isso, o PCdoB tem contribuído para construir alianças necessárias para as transformações avançadas no sentido democrático, progressista e popular.

Temos dado um aporte significativo para os êxitos do novo período político nacional, aberto com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e continuado com a vitória da primeira mulher para a presidência da República em 2010. O Novo Projeto Nacional deu seus primeiros passos com o ex-presidente Lula, e nossa luta é que avance agora no governo Dilma Rousseff. Mas, a luta pelo socialismo, só vai prosperar se em nosso país se houver uma esquerda forte e um PCdoB cada vez maior e influente.

O PCdoB é um partido de vida e ação permanente, que trata do aperfeiçoamento partidário constantemente, avançando na organização de sua militância. O Partido mantém uma escola nacional de quadros onde tem formado militantes e lideranças para a atividade política, teórica e partidária. A doutrina, a política e os objetivos do partido estão definidos em seu programa Socialista e em seu Estatuto partidário.

Após o episódio emblemático da queda do muro de Berlim e do fim da União Soviética, levando à apostasia uma grande leva de partidos comunistas e socialistas no mundo, o PCdoB, ao contrário, reavivou sua identidade comunista e atualizou seus princípios revolucionários, antiimperialistas e anticapitalistas.

O Partido também apoia a publicação de uma revista teórica e de informação – a Princípios -- que completou 30 anos, divulgadora das ideias marxistas e progressistas, com uma extensa rede de colaboradores em todos os domínios do conhecimento científico e cultural de nosso país. O site Vermelho, sob direção do PCdoB, é hoje um conceituado espaço de difusão e debate de ideias avançadas, propagador do programa partidário, por duas vezes campeão do premio IBest.

O PCdoB tem bancadas parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, que gozam de respeito e influência, sendo seus parlamentares chamados a contribuir em temas relevantes e em momentos decisivos, numa demonstração de suas capacidades e experiência. Na crise mais aguda do então Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, Aldo Rebelo foi chamado a disputar a presidência da Câmara dos Deputados, porque na base do governo é quem reunia melhores condições para afastar a ameaça da vitória da oposição.

O Partido Comunista vai assim ocupando espaços políticos importantes, na área do esporte como fator de inclusão social e na conquista de dois importantes eventos mundiais como a Copa do Mundo de futebol em 2014 e as Olimpíadas de 2016. Na formulação de um novo marco regulatório para a exploração do petróleo com a importante contribuição da Agencia Nacional de Petróleo.

Na área da Cultura, com os Pontos de Cultura, do cinema nacional, na Ancine e na área da Ciência e da Tecnologia, com o trabalho feito na Finep e agora no Conselho Nacional de C&T. Além do trabalho em nível federal são muitas as contribuições de lideranças comunistas em prefeituras e governos estaduais.

O PCdoB não mudou de trincheira e ousa lutar! Está empenhado na organização dos trabalhadores e contribui na construção da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB – lutando pela unidade em mobilizações conjuntas e concretas do movimento sindical brasileiro. No âmbito dos jovens, parcela significativa da população brasileira, o PCdoB é força dirigente da União da Juventude Socialista –UJS—organização nacional fundada há mais de duas décadas, com 120 mil filiados.

A UJS tem papel protagonista entre os estudantes universitários e secundaristas, mantendo a UNE e a UBES como entidades únicas dos estudantes, em defesa dos seus direitos e anseios, com diretorias plurais compostas de representantes de vários partidos. O PCdoB também tem uma atividade destacada entre as mulheres, onde o Partido organizou a União Brasileira de Mulheres—UBM-- entre os que lutam contra as discriminações e manifestações de racismo—UNEGRO e tem significativa militância em defesa da causa das minorias indígenas do país.A situação do Brasil atual é insólita e favorável para as forças democráticas e populares.

O Governo Dilma inspira confiança e esperança, com a emergência de setores médios e na elevação da autoestima do povo. O desafio maior do novo governo, entretanto, consiste em manter relativamente unida a ampla base política, heterogênea, em torno do avanço democrático, nacional e popular, em cujo centro esta o PT e ser independente na formulação de uma política econômica que mantenha um crescimento acentuado e contínuo, voltada para os interesses nacionais e do povo.

Duas grandes tarefas se colocam: 1) fortalecer a coalizão de governo superando práticas hegemonistas e exclusivistas para o êxito da frente governista; 2) redirecionar a política macroeconômica, por uma orientação desenvolvimentista e de progresso nacional e social.


Publicado originalmente na Caros Amigos

A dinâmica do Partido Comunista

O Partido Comunista é uma organização de combate ao capitalismo. É comunista pelo que tem de conteúdo concreto, ou seja, seu elemento estruturante, o proletariado, mas o proletariado consciente de sua situação de classe - “classe para si”. É comunista pelo que tem também de conteúdo abstrato, isto é, seu conjunto de ideias - ideologia, política, cultura e prática - mais precisamente seu pensamento tático e estratégico ou sua práxis.

Por Murilo Ferreira*

Uma práxis revolucionária, transformadora, que caminha para um ponto chave de ruptura com o sistema do capital e que se direciona, com firmeza estratégica, para a construção de um mundo novo, o mundo do socialismo.

Essa organização pretende crescer e conquistar o poder, pois pouco ou nada de seu pensamento poderá se materializar se ele se encontrar em outras mãos. E conquistá-lo é uma condição primeira para qualquer organização partidária realizar o seu conteúdo ideológico. Esse processo não é nada fácil, é uma luta em si, pois leva não somente a uma substituição de um partido pelo outro, mas a derrota de uma classe, a burguesia — que há 400 anos exerce o seu domínio — e a vitória de outra, o proletariado — que pouca experiência teve com o exercício do poder — portanto, é uma luta de classes.

Crescer e conquistar o poder constitui um só processo, podendo ele ser ou não revolucionário. Uma organização pequena dificilmente poderá mobilizar energias e dar iniciativa e impulso às transformações; mas também por si só uma grande organização, mesmo que venha a conquistar o poder, também não é garantia de que se terá iniciado uma nova fase revolucionária. Então o decisivo é o processo de crescimento — é não se perder no meio do caminho — pois uma vez que no processo de crescimento vai-se perdendo substância revolucionária, isto é, “esvaziando-se” a ideologia, acaba ocorrendo uma transfiguração para outro tipo de organização, certamente não proletária e de conteúdo ideológico estranho ao socialismo.

A luta de classes pela conquista do poder é uma luta extremamente desigual e difícil. A classe dominante dispõe de instrumentos de repressão - a violência pura e simples - mas também de instrumentos ideológicos, que fazem com que as vítimas do próprio sistema acabem consentindo com sua própria condição. Então, como diz Gramsci, existem duas formas de domínio - a força e o consenso. Para a efetiva realização da produção capitalista é necessário que haja também um ambiente minimamente pacífico, isto é, que o processo de luta de classes não se degenere a tal ponto que se crie óbices à livre circulação e acumulação de capital. Então, a segunda forma, o exercício do poder através do consenso é a forma preferida da dominação do capital, sabendo-se que a burguesia, em última instância, jamais abrirá mão de lançar a mais perversa onda de violência contra quem quer que a ameace.

Dos regimes patrocinados pela burguesia — dentre eles o regime do terror e o regime democrático — o que nos interessa é o segundo. Não que o regime democrático vá além dos limites da dominação burguesa, mas porque simplesmente este regime nos permite mais liberdade de organização e condições melhores para fazer o debate político e teórico com a sociedade, forjando consciência revolucionária e substância para a transformação social. Não é a toa que a formulação marxista de que à medida que o capitalismo se desenvolve ele cria os seus próprios elementos de superação é absolutamente atual, pois se esse ambiente de relativa tranquilidade caracterizada por um amplo consenso ideológico de conteúdo liberal e mercadológico contribui para o desenvolvimento do capital, também contribui para o desenvolvimento do partido comunista, à medida que sob esse regime democrático, ao contrário do regime do terror, ele consiga realizar não somente a luta política partidária, mas também a luta de ideias.

Portanto, o regime democrático proporciona que o Partido Comunista possa realizar ações e intervenções em várias esferas da sociedade. Dizer que o partido comunista tem que se firmar entre os trabalhadores está dado desde 1848 quando Marx e Engels escreveram o Manifesto do Partido Comunista. Aliás, o partido é o próprio proletariado - em nada pode se distinguir dele - mas um proletariado diferenciado, isto é, enquanto “classe em si”. No próprio conceito de proletariado já está embutido essa caracterização, senão não seria proletariado, seria apenas uma massa atônita, desraigada e estéril na luta pelo socialismo, elemento até para engrossar as fileiras da classe dominante. Portanto, o proletariado é uma classe organizada, que é mesmo que o partido comunista. O partido comunista, por sua vez, não poderá ser outra coisa senão o próprio proletariado organizado, ambos absolutamente convictos do seu papel na história.

Mas nesse desafio de crescer está posto a necessidade de enfrentar a luta em diversas esferas da sociedade. E mais do que isso, de se inteirar do que é mais atual em política e em economia, isto é, da atualidade da luta de classes e do curso real dos acontecimentos, como se move o capitalismo, o mundo, as nações, as diversas sociedades e suas classes e frações de classe, enfim, do movimento dialético da história. Um partido comunista deve saber fazer esse estudo, adquirindo consciência e sabedoria do momento presente e do que pode vir a ser o futuro imediato, vindo assim a formular a sua tática, que vem a ser o seu posicionamento político frente ao enquadramento mais geral - diversas forças políticas e a sociedade.

Hoje, ainda sob o efeito avassalador da derrota das experiências socialistas do século 20, a forma atualizada de dominação do capital é o neoliberalismo – livre circulação de capital, hegemonia do capital financeiro, desregulamentação, privatização e desnacionalização, enfim, um regime que tem como objetivo central destruir a soberania das nações e controlá-las ou dirigi-las a partir de um único centro de comando mundial, o centro do capital financeiro: EUA. Assim, a tática mais geral dos comunistas na atualidade é derrotar o sistema neoliberal e fazer vitorioso o Projeto Nacional de Desenvolvimento, haja vista que a luta pelo socialismo não está posta de maneira imediata.

Ainda citando Gramsci, que dizia ser preciso que o proletariado se lance a um processo de conquista da hegemonia política e cultural mesmo antes da conquista do poder. Assim esse trabalho de construção hegemônica aqui para nós tem se dado pela luta de posição, em contraposição à tática de “tomar” poder por uma grande movimentação. E nisso está o elemento chave que é o da disputa de consciência nas várias esferas sociais e até mesmo a disputa da consciência de um operário que seja. Cada posição ganha, cada “trincheira” conquistada, se somará ao final, num processo relativamente longo de acumulação de forças.

Assim, a luta ideológica coloca-se no mesmo patamar de importância ao posicionamento tático partidário e da luta política imediata.

Não se trata de colocar a ideologia à frente da política, pois sabemos o quanto a luta política imediata é fundamental para inserir a organização partidária no curso real da história. Mas se trata de equilíbrio e interação dialética entre ambas as frentes, sem descuidar de nenhuma. O maior alerta é que nesse processo de conquista de hegemonia estamos obrigados a fazer concessões a outras classes aliadas na luta contra a hegemonia da burguesia financeira. Essas concessões e alianças são necessárias, pois esse tem sido o caminho para fazer o partido crescer e aumentar sua influência, como tem ocorrido. Acrescente-se a isso o processo de abertura partidária a quadros e elementos diferenciados da sociedade, com concepções e ideais também diferenciados. Portanto, é nesse quadro que temos que cuidar melhor do papel da consciência e da cultura como arma contra o pragmatismo.

Por outro lado, o reforço ideológico também não pode vir desacompanhado da compreensão tática e da sua função de inserção partidária no movimento real. O desafio é estabelecer uma estreita relação entre a luta política imediata e a consciência ideológica do socialismo, isto é, relação dialética entre tática e estratégia, sendo a tática a serviço da estratégia ou a luta política imediata a serviço do socialismo. Mas ainda assim a concepção ideológica do militante é o maior patrimônio partidário. Já as conquistas políticas imediatas, embora importantes para a luta cotidiana, podem se tornar efêmeras frente a um contexto adverso. A soma das posições partidárias mais a elevação geral do nível da consciência de seus militantes é o caminho mais próximo para o socialismo.


* Murilo Ferreira é engenheiro agrônomo e mestre em Administração Rural e Desenvolvimento. Também atua na direção do Sinpro e da CTB Minas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sigilo eterno de um país sem lembranças


O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse nesta quinta (25) que a presidente Dilma vai deixar a base aliada à vontade para votar o projeto de lei que trata do sigilo de documentos oficiais. A polêmica teve início com o senador Fernando Collor (PTB-AL), que propôs emendas ao texto original já aprovado na Câmara dos Deputados. Ele considera  temerário impor um prazo máximo para a divulgação dos documentos e propõe que o sigilo possa ser renovado indefinidamente em alguns casos.

Em oposição, alguns setores da sociedade entendem que essa modificação significa imposição de um “sigilo eterno” e que isso atrapalharia a publicidade e o acesso à informação sobre as decisões de governo. O relator não se abala com a avaliação de terceiros e alega, em favor do seu parecer, que a divulgação de algumas informações pode colocar em risco a soberania do país, estratégias econômicas e as relações internacionais do Brasil. E o que mais pode ser colocado em risco se a eternização de sigilo a documentos de interesse público se institucionalizar? É o que se perguntariam os mesmos setores da sociedade contrários a tal aprovação.

Votação

Fernando Collor apresentou seu relatório nesta quinta (25) à Comissão de Relações Exteriores do Senado. Foram concedidas vistas coletivas ao parecer de Collor, que só deverá ser votado pelos integrantes da comissão na próxima semana.
Segundo Jucá, o governo não vai direcionar como deseja que a base vote nesse caso, apesar de o projeto inicial ter sido enviado pelo Poder Executivo. “O projeto do Executivo não prevê esses pontos que o senador está tratando, eles foram colocados pela Câmara. O governo quer ver o projeto aprovado, por enquanto não se está discutindo possíveis vetos”, disse o líder.

Bastidores
A polêmica em torno do projeto foi gerada por uma modificação feita na Câmara dos Deputados que impõe um período máximo de 50 anos para que um documento possa permanecer em sigilo.
O senador Collor considera que pode ser temerário impor um prazo máximo para a divulgação dos documentos e colocou em seu relatório que o sigilo possa ser renovado indefinidamente em alguns casos.

Adendos
Os deputados incluíram no projeto que os documentos devem ser divulgados independentemente de solicitação. Collor retirou esse trecho por acreditar que isso sobrecarregaria a administração pública. Ele manteve a necessidade de divulgação em caso de solicitação. Em outro trecho, o senador substituiu o termo “deverão” por “poderão” para a divulgação de informações nas páginas dos órgãos do governo na internet
Para a Câmara, a definição de informação sigilosa fica como “aquela submetida temporariamente à restrição de acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado”
Collor retirou a palavra “temporariamente” para impedir que fique imposto um prazo, garantindo a possibilidade de “novas prorrogações”.  A Câmara dos Deputados classificou as informações contidas nos documentos como:
Ultrassecreta – prazo de sigilo de 25 anos

Secreta – prazo de 15 anos

Reservada – prazo de cinco anos

Todos os prazos podem ser renovados apenas uma vez

Collor propôs uma classificação intermediária, chamada de confidencial, cujo prazo de sigilo é dez anos. Ele incluiu também a possibilidade de que os documentos considerados ultrassecretos possam ter seu sigilo renovado pela Comissão Mista de Reavaliação de Informações quantas vezes se julgar necessário.
Para os outros casos, o relator propôs que o sigilo seja prorrogado quando ele for "imprescindível à segurança da sociedade e do Estado".
A Câmara incluía como membros da Comissão Mista de Reavaliação de Informações ministros de Estado e representantes dos poderes Legislativo e Judiciário. O senador incluiu o vice-presidente da república, que deverá coordenar a comissão; os comandantes das Forças Armadas; e um representante do Ministério Público
Caso a comissão não reavalie a necessidade de prorrogar o prazo de sigilo em tempo pré-determinado, os documentos passariam automaticamente a domínio público.

Redação Vermelho com informações da Agência Brasil

terça-feira, 23 de agosto de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

PCdoB-RJ debate os desafios da comunicação partidária

Dedicado ao comandante Fidel Castro, que comemorou 85 anos no dia 13, o Encontro Estadual de Comunicação do PCdoB-RJ debateu os principais desafios dessa frente, com a presença do Secretário Nacional de Comunicação do PCdoB, José Reinaldo.


Participaram do encontro representantes de oito comitês municipais (Rio de Janeiro, Campos, São Gonçalo, Belford Roxo, Magé, Miguel Pereira, Cambuci e Casimiro de Abreu) além da CTB (presidente estadual Maurício Ramos, Secretário de Comunicação Paulo Farias), UJS (Monique Lemos), UNEGRO (Antônio Carlos, executiva estadual), Conam (Paulo César, executiva nacional) e Sindicato dos Servidores Civis das Forças Armadas (presidente Luis Cláudio).

O encontro também contou com a presença dos dirigentes estaduais Ana Rocha, presidente do PCdoB-RJ, que falou sobre o quadro político no estado e a atuação do Partido nas diversas frentes, Wevergton Brito, Secretário Estadual de Comunicação, que abordou a Comunicação do Partido no Estado, Uirtz Sérvulo, Secretário Estadual de Organização e Igor Bruno, Secretário Estadual de Juventude e Coordenador de Políticas para a Juventude da prefeitura do Rio.

Sobre o projeto político estadual, Ana Rocha ressaltou, entre muitas outras questões que “é preciso que as direções municipais estejam organizadas para dirigir o processo das eleições de 2012, sendo esse um momento privilegiado para o crescimento do PCdoB”.

Tarefas da comunicação

Em seguida, José Reinaldo abordou a conjuntura política internacional, destacando a atual crise econômica, que segundo ele deve ser encarada como uma crise do capitalismo, um sistema que “não é capaz de promover o progresso social e que vive eternamente em crise, sistêmica e estrutural”. Sobre a América Latina, José Reinaldo destacou a eleição de diversos governos democráticos, progressistas e nacionalistas e que lutam pelo socialismo. O secretário nacional de comunicação também ressaltou o projeto eleitoral do PCdoB para 2012, que visa “eleger prefeitos em cidades importantes. Nós estamos vendo as eleições do ano que vem com boas perspectivas para o crescimento do Partido”.

Para José Reinaldo, para o ano que vem duas tarefas são prioritárias para o Partido: as comemorações do aniversário de 90 anos do PCdoB e a própria batalha eleitoral.
Segundo ele, ao mesmo tempo, “o Partido está empenhado numa campanha de crescimento para se tornar uma grande força política, eleitoral e de massas, irradiadora de ideias revolucionárias e capaz de atrair amplos setores da sociedade brasileira, tendo a comunicação como difusor dessas ideias”.

Para José Reinaldo, a comunicação precisa difundir as ideias do Partido, ajudando a construir “um PCdoB de massas, contemporâneo e moderno”. Também devem ser tarefas do dia-a-dia, a difusão e a utilização do Portal Vermelho, “o nosso principal veículo de comunicação do Partido”. Destacou ainda a importância da distribuição do jornal A Classe Operária, “como um instrumento de agitação política e de construção partidária, e dos programas de TV que o Partido tem direito, ao mesmo tempo apresentando as nossas lideranças e fazendo propaganda política e ideológica”.

Em sua fala, Wevergton chamou a atenção, entre outros pontos, para a necessidade urgente de encarar a tarefa de Comunicação de forma profissional, “desejamos uma comunicação partidária que use uma linguagem acessível ao povo, mas que também ajude a elevar a consciência política das massas; que seja atraente, mas que também desperte a vontade de lutar; que seja moderna, mas que tenha a marca classista; ora, toda essa equação é muito difícil, e ficará impossível se continuarmos tratando nossa Comunicação de forma amadora”.

O encontro reservou ainda dois informes especiais. O primeiro apresentado por Marcos Pereira, da Comissão Estadual de Comunicação, que falou sobre o Centro de Estudos Barão de Itararé e a meta de lançar um núcleo da entidade no estado. O segundo informe foi apresentado pelo cientista social Théo Rodrigues, que falou sobre o movimento dos blogueiros progressistas e a atuação do PCdoB neste campo.

Outros dezessete companheiros fizeram uso da palavra, o que construiu um rico debate que agora deve ser levado aos demais municípios e entidades, destacando o principal espírito do encontro: a comunicação como ferramenta indispensável para o crescimento e o fortalecimento do PCdoB.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Que venham os Blogs

Do Eu Penso que... do Ricardo André

Os ocupantes de cargos de confiança do governo Rosinha (de diretores para cima) estão participando de uma seminário no Trianon desde hoje cedo. O encontro termina amanhã e conta com a presença do deputado Garotinho.
O assunto principal neste primeiro dia de seminário foi a cobrança de presença mais efetiva, nas redes sociais, do pessoal que dirige a PMCG. Foi sugerido, inclusive que seja criada uma espécie de blogosfera para defender o governo e enfrentar os Blogs independentes, além de twitters, facebook e outras ferramentas.
O secretário de Saúde, Paulo Hirano, conforme informou hoje o blog "Estou Procurando...", já está saiu na frente.
Eu acho ótimo que todos os secretários, subsecretários e diretores estejam na Internet com seus blogs e congêneres, porque só assim, poderão prestar contas de suas atividades e responder a muitas perguntas, como por exemplo, a paralisação das obras, como a da reurbanização da Avenida José Carlos Pereira Pinto; Beira-valão e as praças...
O presidente da Emut ou o procurador-geral do município, vão ter em mãos ferramentas para explicar como é fiscalizado o projeto da passagem a R$ 1,00 e não deixar sem resposta as denúncias de que empresas recebem dos cofres públicos o valor da passagem inteira enquanto o passageiro só utiliza parte do percurso, conforme denuncia feita ao Ministério Púbico (aqui).
Na área da Saúde, podem explicar, também, porque o elevador do Ferreira Machado não funciona e porque há tanto atraso no repasse aos hospitais e clínicas conveniadas. Dizer que é burocracia, como fez o secretário Hirano, não vale, porque só não se consegue vencer a burocracia com incompetência ou insensibilidade política.
Um Blog do pessoal das Finanças, Planejamento e Controle poderia muito bem suprir as falhas da portal da transparência, que, repito, não passa de um balancete de receitas e despesas que é publicado daquela forma há décadas. Por exemplo, o balancete das despesas que está no ar ainda é referente a maio/2011 e contém uma armadilha que levou este Blog a erro (aqui): publicaram um gasto de R$ 16,6 milhões para "aquisição de imóveis" e depois foram explicar que tratava-se de pagamento do terreno da antiga Ceasa, em Guarus, comprado nos anos 70/80, e pago somente agora por "decisão judicial".Ora, no mesmo balancete existe uma rubrica chamada "sentenças judiciais" , onde deveria estar a despesa questionada. Ou não?
E, afinal, para que a Prefeitura de Campos quer àquela área onde não funciona mais nada? Taí outra questão que os novos blogueiros podem responder.
E que sejam bem-vindos ao maravilhoso mundo do debate, da democracia, da discussão saudável em busca da verdade.

sábado, 13 de agosto de 2011

Para Odete Rocha, só a Prefeitura interessa em 2012


Por Aluysio, em 12-08-2011 - 20h34

Diferente da vereadora petista Odisséia Carvalho e do médico Makhoul Moussalém (ainda sem partido), a professora Odete Rocha não trabalha com a possibilidade de se candidatar à Câmara Municipal, como alternativa à eleição majoritária de 2012. Neste sentido, ela não confirmou, no entanto, as informações passadas aqui pelo jornalista e blogueiro Saulo Pessanha, dando conta de que, a partir de pesquisas, Sérgio Cabral (PMDB) já a teria escolhido como o nome de oposição com mais chances no enfrentamento contra a prefeita Rosinha (ainda no PMDB). Segundo Odete, isso teria que ser confirmado pelo próprio governador, em reunião com a Frente Democrática de Oposição anunciada aqui desde o dia 19 de julho, mas com data ainda a marcar. Com várias críticas à gestão Rosinha, a pré-candidata comunista aposta na busca, entre os próprios campistas, de uma equipe técnica para se governar melhor o município.

Folha da Manhã – Junto com a vereadora petista Odisséia Carvalho, você foi a integrante da Frente Democrática de Oposição mais presente nos encontros com lideranças no Rio de Janeiro. Quais foram os frutos reais das reuniões com o deputado André Corrêa (PPS), o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), o deputado Paulo Melo (PMDB) e o presidente do PMDB Jorge Picciani?
Odete Rocha – Gostaria de ressaltar que a agenda realizada com essas lideranças do Estado tem um aspecto positivo na medida em que ficou clara a existência de uma oposição organizada em Campos, que discute um projeto em comum, mesmo dadas as diferenças na formação de cada partido, mas que vem discutindo um projeto consequente para uma cidade que daqui a algum tempo comportará um grau de desenvolvimento que, se não tratado com a devida justeza, terá desdobramentos imprevisíveis e até irreversíveis. Outro aspecto é que, na busca desses apoios, a Frente encontrou eco. E se houve eco é porque estamos no caminho certo.

Folha – Desde o encontro com Paulo Melo, foi anunciado um encontro com o governador Sérgio Cabral, ao qual seriam convidados todos os parlamentares fluminenses dos partidos que compõem a Frente. Por que ele ainda não foi marcado? Quando será?
Odete – Tudo que estava ao alcance da Frente Democrática nesse sentido foi feito, na medida que tomamos todos os encaminhamentos. Estamos aguardando que a reunião com o governador Sérgio Cabral aconteça o mais breve possível. Acreditamos que o encontro ainda não aconteceu por algum problema de agenda.

Folha – Na reunião com Picciani, ele limitou em três as candidaturas dos partidos que integram a Frente, para que estas pudessem contar com o apoio de Cabral. Concorda com esse limite? Como definir essas três candidaturas em comum acordo entre todas as legendas?
Odete – É importante salientar que a discussão do número de candidaturas partiu da Frente Democrática. Na reunião com Picciani, onde apresentamos uma pauta escrita, este ponto, de fato, cabia nela. O número de candidaturas da Frente Democrática faz parte de um debate político, de uma avaliação do quadro municipal, buscando não uma pulverização de votos, mas uma estratégia que nos conduza ao segundo turno. Como a decisão foi conjunta, fica claro que esse também é o nosso pensamento. O caminho que a Frente vem traçando é de ter parâmetros sobre o potencial de cada nome apresentado como pré-candidato. No nosso entender, o pragmatismo eleitoral vai apontar quem, de acordo com as pesquisas eleitorais, terá condições concretas de disputa.

Folha – Enquanto Rosinha esteve cassada e uma nova eleição chegou a ser marcada, você e o PV de Andral pareciam próximos da coligação. Agora, consta nos bastidores que os verdes terão candidatura própria à Prefeitura em 2012. Há ainda essa possibilidade de composição?
Odete – Olha, nós entendemos que política não caminha em linha reta. E até 2012 muita coisa pode acontecer. Respeitaremos as decisões do PV, mas confesso que ter o Andral caminhando ao nosso lado seria uma boa composição política.

Folha – Em entrevista ao blog Opiniões (aqui), republicada na Folha, o médico Makhoul Moussalem a elogiou e disse ver com bons olhos a possibilidade de vocês dois caminharem juntos em outro pleito, a exemplo do que já fizeram em 2006. Mesmo que Makhoul ainda não tenha se definido entre PMDB e PT, como enxerga essa alternativa?
Odete – Dr. Makhoul é para mim muito mais do que um aliado político. Com ele, caminhamos em 2006, e, em 2008, foi de extrema importância o apoio dele à nossa candidatura. Temos um diálogo franco e fraterno, conhecemos os limites um do outro, o que torna o caminho político mais fácil. Mas como ele ainda não definiu seu futuro político, seria prematuro da minha parte ter uma posição neste momento.

Folha – Assim como Odisséia e o próprio Makhoul deixaram a possibilidade em aberto, há chance de que você abra mão da disputa majoritária para concorrer à Câmara? Caso sejam mesmo aprovadas as 25 cadeiras na próxima Legislatura, como parece ser a vontade de Garotinho, seria uma disputa menos difícil? Qual número de vereadores você julga ideal para Campos?
Odete – Na nossa opinião, o aumento de cadeiras na Câmara, ao contrário do que possa parecer, tornará a disputa muito mais acirrada, visto que o número de candidatos será muito grande. Mas não é este desafio que nos afasta dessa possibilidade. Nossa candidatura se apresenta de forma natural, que vem sendo construída há algum tempo. As pesquisas apontam o acerto que há neste processo de construção.

Folha – Quer você concorra ou não ao Legislativo, como estão as nominatas do PCdoB em Campos? Não só em relação ao seu partido, qual a importância terá para a oposição ampliar proporcionalmente suas quatro cadeiras entre as atuais 17?
Odete – Estamos construindo uma nominata equilibrada, mas que possibilite eleger vereadores, o que é, inclusive, uma grande tarefa do PCdoB em Campos. O aumento de cadeiras, no nosso entender, mesmo tornando a eleição mais difícil, vai contribuir para que haja uma renovação significativa no Legislativo. Pelo menos é isso o que esperamos e torcemos. Lógico que vai depender do eleitor.

Folha – Entre os nomes que surgem como pré-candidatos da oposição, você, Arnaldo Vianna (PDT) e Makhoul têm um residual já consolidado, pelas eleições majoritárias recentes que disputaram. Concorda com isso e com a perspectiva de que será o potencial de crescimento, a partir da rejeição de cada um, o melhor indicador das chances contra Rosinha?
Odete – Até 2012, muita coisa vai acontecer. Entretanto, deve ser considerado o acúmulo eleitoral de cada pré-candidato e também a possibilidade de crescimento. Mas é preciso fazer um trabalho político consistente para que o cacife eleitoral não só se mantenha, mas possa crescer. E nesse aspecto considero que quem tem menos rejeição junto ao eleitorado, tem mais chances de ampliar seu potencial eleitoral.

Folha – Baseado nessas possibilidades de crescimento, o jornalista Saulo Pessanha disse não só que você seria o nome mais viável eleitoralmente da oposição, como seria esta a conclusão já feita por Sérgio Cabral. Existe realmente essa indicação, com base em pesquisa, e esse entendimento por parte do governador?
Odete – Difícil responder essa pergunta, porque ainda estamos aguardando que aconteça a reunião com o governador Sérgio Cabral.

Folha – Em seus artigos na Folha, você vinha pautando suas críticas ao governo Rosinha, principalmente, na área da educação. No último, voltou as baterias às denúncias de paralisação de obras? Quais são, em seu entender, as principais deficiências da administração campista? Quais os motivos? Como fazer para melhorá-las?
Odete – Na Saúde, por mais que se anuncie aos quatro cantos que vai muito bem, as filas continuam acontecendo, deixando milhares de pessoas sem consultas diariamente. Além disso, faltam medicamentos para atender à população. Na educação, o quadro é desolador. São profissionais mal pagos, que convivem com péssimas condições de trabalho, sem falar que, até o fim do primeiro semestre, os alunos não tinham recebido todo o material escolar. Outro problema é a falta de oportunidades de trabalho. Podemos enumerar ainda a falta de infra-estrutura, que não dá qualidade de vida para a população, e o trânsito, principalmente na área central, que está cada dia mais caótico. Esses problemas e tantos outros poderiam ser resolvidos com duas simples medidas que devem caber ao gestor público: planejamento e bom uso dos recursos. Até porque, recursos a Prefeitura de Campos tem de sobra. Afinal, o orçamento deste ano é de nada menos que R$ 1,9 bilhão, e o do ano que vem, de R$ 2 bilhões.

Folha – Um problema do qual o governo Rosinha se ressente, embora só seja admitido nos bastidores, é a escassez de nomes para compor tecnicamente o governo. Se o grupo deles, que já governou o Estado do Rio duas vezes, padece desse problema, como você, ou outro nome da oposição, montaria uma equipe apta a lidar com as demandas de Campos e região, ampliadas pelo Porto do Açu e o Complexo Logístico de Barra do Furado?
Odete – De maneira alguma há escassez de bons nomes para compor tecnicamente um governo em Campos. Existe muita, mas muita gente competente e séria neste município. O problema está na escolha, que se reflete no tipo de governo que se pretende fazer. Pensar que num município com quase 500 mil habitantes não tenha gente capaz de conduzir de forma decente e competente uma administração é, no mínimo, menosprezar e subestimar a inteligência, a competência e a seriedade do nosso povo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Homenagem de Neruda ao Partido Comunista do Brasil


Por Pablo Neruda *

Quantas coisas quisera hoje dizer, brasileiros,
quantas histórias, lutas, desenganos, vitórias,
que levei anos e anos no coração para dizer-vos, pensamentos
e saudações. Saudações das neves andinas,
saudações do Oceano Pacífico, palavras que me disseram
ao passar os operários, os mineiros, os pedreiros, todos
os povoadores de minha pátria longínqua.
Que me disse a neve, a nuvem, a bandeira?
Que segredo me disse o marinheiro?
Que me disse a menina pequenina dando-me espigas?

Uma mensagem tinham. Era: Cumprimenta Prestes.
Procura-o, me diziam, na selva ou no rio.
Aparta suas prisões, procura sua cela, chama.
E se não te deixam falar-lhe, olha-o até cansar-t
e nos conta amanhã o que viste.

Hoje estou orgulhoso de vê-lo rodeado
por um mar de corações vitoriosos.
Vou dizer ao Chile: Eu o saudei na viração
das bandeiras livres de seu povo.

Me lembro em Paris, há alguns anos, uma noite
falei à multidão, fui pedir auxílio
para a Espanha Republicana, para o povo em sua luta.
A Espanha estava cheia de ruínas e de glória.
Os franceses ouviam o meu apelo em silêncio.
Pedi-lhes ajuda em nome de tudo o que existe
e lhes disse: Os novos heróis, os que na Espanha lutam, morrem,
Modesto, Líster, Pasionaria, Lorca,
são filhos dos heróis da América, são irmãos
de Bolívar, de O' Higgins, de San Martín, de Prestes.
E quando disse o nome de Prestes foi como um rumor imenso.
no ar da França: Paris o saudava.
Velhos operários de olhos úmidos
olhavam para o futuro do Brasil e para a Espanha.

Vou contar-vos outra pequena história.

Junto às grandes minas de carvão, que avançam sob o mar,
no Chile, no frio porto de Talcahuano,
chegou uma vez, faz tempos, um cargueiro soviético.

(O Chile não mantinha ainda relações
com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Por isso a polícia estúpida
proibiu que os marinheiros russos descessem,
e que os chilenos subissem).
Quando a noite chegou
vieram aos milhares os mineiros, das grandes minas,
homens, mulheres, meninos, e das colinas,
com suas pequenas lâmpadas mineiras,
a noite toda fizeram sinais, acendendo e apagando,
para o navio que vinha dos portos soviéticos.

Aquela noite escura teve estrelas:
as estrelas humanas, as lâmpadas do povo.
Também hoje, de todos os rincões
da nossa América, do México livre, do Peru sedento,
de Cuba, da Argentina populosa,
do Uruguai, refúgio de irmãos asilados,
o povo te saúda, Prestes, com suas pequenas lâmpadas
em que brilham as altas esperanças do homem.
Por isso me mandaram, pelo vento da América,
para que te olhasse e logo lhes contasse
como eras, que dizia o seu capitão calado
por tantos anos duros de solidão e sombra.

Vou dizer-lhe que não guardas ódio.
Que só desejas que a tua pátria viva.
E que a liberdade cresça no fundo do Brasil como árvore eterna.

Eu quisera contar-te, Brasil, muitas coisas caladas,
carregadas por estes anos entre a pele e a alma,
sangue, dores, triunfos, o que devem se dizer
o poeta e o povo: fica para outra vez, um dia.

Peço hoje um grande silêncio de vulcões e rios.

Um grande silêncio peço de terras e varões.

Peço silêncio à América da neve ao pampa.

Silêncio: com a palavra o Capitão do Povo.

Silêncio: que o Brasil falará por sua boca.

Poema lido por Pablo Neruda no Comício do Partido Comunista do Brasil em julho de 1945 no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Retirado do livro “Canto Geral” (1950), 5ª edição brasileira, São Paulo, Difel, 1982.