sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

PT e PMDB defendem ideias opostas no debate da reforma política

Excesso de projetos, divergências de posições e falta de acordo entre Senado e Câmara foram alguns dos motivos que impediram a aprovação da reforma política no Congresso nos últimos anos. A discussão continua. Partidos da base governista, PT e PMDB, defendem idéias opostas em relação a um dos eixos principais da reforma: a manutenção ou não do sistema de eleição proporcional.


Leia mais no Vermelho.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Desenvolvendo o Projeto Registro e Diálogos



Na sexta-feira (11/02) ocorreu, na CAPI - Centro de Amparo e Proteção ao Idoso - em Goitacazes, a apresentação do projeto Registro e Diálogos, projeto concretizado através de emenda do então deputado Edmilson Valentim. A seguir, numa breve entrevista, a coordenadora da UBM/Campos, Elizabeth Rosário, nos explica um pouco sobre como se deu o projeto.


Fale nos um pouco sobre as entidades envolvidas no projeto Registro e Diálçogos, em especial sobre a UBM, e de onde partiu a ideia inicial do projeto.

O projeto "Registro e Diálogos - Tecendo a Igualdade" é uma iniciativa do SEAC (Sociedade Educacional e Ação Comunitária) e da UBM( União Brasileira de Mulheres) através do incentivo da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal.

Quanto as entidades envolvidas a SEAC - Sociedade Educacional e Ação Comunitária tem como função elaborar e captar projetos, a UBM (UNIÂO BRASILEIRA MULHERES) é uma entidade nacional, apartidária e sem fins lucrativos, fundada em 1988, que congrega mulheres na luta contra a discriminação de gênero, racial, religiosa ou de qualquer natureza. A nossa luta está voltada para a defesa dos direitos e reivindicações das mulheres, que luta contra a opressão da mulher e por sua emancipação. Também realizamos atividades de pesquisa voltada sobre questões relativas à mulher, particularmente nas áres de trabalho, saúde, violência e políticas públicas...


Qual o objetivo do projeto?

O objetivo do projeto é realizar o registro em audiovisual no formato de documentário e divulgá-los nacionalmente, através da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, a fim de incentivar e divulgar tais iniciativas.

Como foram as gravações aqui em Campos?

As gravações foram realizadas pela Cohésion Produções. Junto a equipe de filmagens estava a Irene Cassiano, representante da UBM/RJ. Durante as filmagens, entrevistas foram realizadas com idosos frequentadores da casa que demonstraram a gratidão pelo trabalho da CAPI, da fisioterapeutica Cristiane e da Diretora da casa Emília. Todos presentes se emocionavam diante de cada entrevista.

E a receptividade dos participantes?

A alegria dos idosos ao cumprimentar a equipe de produçoes foi muito gratificante. O trabalho realizado com tanta garra nos deixou perplexos! Duas mulheres guerreiras realizando as atividades com muitas dificuldades, o único apoio que recebem é de alguns membros da comunidade que auxilia com o aluguel da casa. Portanto, não podia deixar de ser o projeto contemplado.


Qual sua avaliação sobre o resultado final obtido aqui em Campos?

Muitos estiveram naquela ocasião. Lucimara diretora das mulheres Quilombolas deu a sua contribuição. Foi interessante a união de todos os presentes diante de um trabalho solidário. Antes durante e depois das gravações laços de amizade eram construídos e outros fortalecidos. Era visível a alegria de todos que prestigiavam o projeto. Gostaríamos de agradecer a todos os participantes por sua presença.
Esperamos que o evento tenha contribuído para o fortalecimento das entidades presentes. Desejamos sucesso para as parcerias estabelecidas durante o evento e que os laços de amizades tenham continuidade.
Acima de tudo, desejamos que todos tenham tido proveito positivo.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PCdoB pode Romper com PT

Em entrevista ao iG, Renato Rabelo cobrou 'responsabilidade' do partido de Dilma e falou sobre a aproximação com Kassab

Aliado de primeira hora do PT há mais de 30 anos, o PC do B pode romper com o partido da presidenta Dilma Rousseff caso os petistas insistam em exercer uma hegemonia absoluta tanto na partilha dos cargos federais quanto nas eleições municipais de 2012. A afirmação foi feita pelo presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, em entrevista ao iG.

Foto: Futura PressAmpliar

Renato Rabelo, presidente do PC do B, falou ao iG sobre aliança do alianças histórica com o PT

“Cabe ao PT uma grande responsabilidade. Do contrário essa aliança pode se quebrar ou até pior, surgir uma antialiança ao PT. Pode até haver separação”, disse.

Sentado sob um retrato do histórico líder comunista João Amazonas (1912-2002) na reformulada sede do partido no centro de São Paulo, Rabelo disse que o PC do B prepara para 2012 o lançamento do maior número de candidatos a prefeito de sua história, muitos deles contra o PT - como o vereador Netinho de Paula, na capital paulista - e não descartou alianças pontuais com partidos de oposição a Dilma.

Quanto à recente aproximação do partido com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), Rabelo admitiu, pragmático, não haver afinidades ideológicas, mas defendeu a aliança. "Com o Kassab não há uma identidade ideológica, há aproximações políticas. Se tivéssemos, por exemplo, a mesma ideologia que o PT nós seríamos do PT, faríamos parte do PT", disse Rabelo, que falou ainda sobre o movimento do prefeito em direção à base aliada à presidenta Dilma Rousseff. "Não estamos indo para o lado do Kassab. O Kassab é que está vindo para o lado de cá." Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

iG - O PC do B já traçou uma estratégia para 2012?
Renato Rabelo - O PC do B levou 15 anos tendo somente candidatos proporcionais e assim mesmo concentrando em algumas candidaturas. De 2004 e 2006 para cá começamos a mudar essa orientação e ter candidaturas majoritárias. Agora pretendemos ir mais ainda. Em 2010, fomos o quarto partido mais votado para o Senado, mais até do que o DEM. E se tivemos estes votos é porque temos lideranças importantes. Essa acumulação eleitoral vai desembocar em 2012. O que a gente chama de projeto 2012 é o maior da história do PC do B. Podemos até eleger prefeitos de capitais, como por exemplo a Manuela (D’Ávila) em Porto Alegre, onde podemos contar com apoio até do PT. O governador Tarso Genro (PT) admite que PC do B teve um papel importante na eleição dele. Em São Paulo queremos dar peso à candidatura do Netinho de Paula.

iG - O senhor disse que durante 15 anos o PC do B só teve candidaturas proporcionais. Isso se deve em grande parte aos apoios oferecidos ao PT. Em 2012 essa relação vai mudar?
Rabelo - Na evolução política há sempre variações nas relações. Não se pode dizer que uma relação política vai ser igual a vida inteira. Toda aliança é fruto de um momento. Tudo na vida é assim. Pode mudar para melhor ou para pior. Pode mudar para uma aproximação maior ou para um afastamento. Nós tivemos sempre uma relação de primeiro nível com o PT. O que acontece agora é que o PT é o partido hegemônico na esfera federal e luta para manter essa hegemonia. Exatamente por isso pode cometer erros, tender a querer uma hegemonia absoluta. Se nesse processo não houver entendimento e confiança mútua pode criar problemas e afastamentos, uma reação em sentido contrário, uma frente contra o partido hegemônico. Isso a história mostra. Então cabe ao PT uma grande responsabilidade que é exercer uma hegemonia que dê harmonia à aliança. Do contrário essa aliança pode se quebrar ou até pior, surgir uma antialiança ao PT. Pode até haver separação. Depende da atitude de cada partido.

iG - A forma como o PT tem lidado com a divisão de cargos do governo Dilma é um risco?
Rabelo - O governo está começando. Ainda não se pode dizer. Mas vai ser um fator indicador importante e vamos levar em conta tudo isso. Não vamos raciocinar com o fígado mas se a atitude é política vamos responder politicamente. Dentro das nossas condições, é claro.

iG – Qual é sua opinião sobre a aproximação do PC do B com Gilberto Kassab?
Rabelo – Há uma convergência com o prefeito em algumas questões políticas que já vem de um ano ou mais. O episódio da mesa da Câmara de Vereadores (onde o PC do B apoiou Kassab contra o PT) mostra isso. Nós apoiamos o candidato do prefeito porque aquele grupo dominava a mesa há muito tempo. O prefeito Kassab resolveu enfrentar essa questão e nós tivemos um papel importante porque nossos dois vereadores foram a fiel da balança. Kassab está determinado em vir para um partido da base de apoio do governo federal. É por isso que houve essa aproximação. Para o PC do B, a definição política dele é muito importante. Não vamos fazer aliança com pessoas que estão do lado político que não é o nosso. Em resumo: não estamos indo para o lado do Kassab. O Kassab é que está vindo para o lado de cá.

iG - O PC do B vai participar da administração Kassab?

Rabelo - Neste processo de aproximação ele aventou a possibilidade de oferecer esta secretaria que não existe ainda, que é a secretaria dita especial para preparar a Copa de 2014 em São Paulo. A cidade está enfrentando uma série de problemas. Nem o estádio foi construído. O que ele diz é que o PC do B já está na área e poderia levar adiante esta questão. Não sei exatamente se ele já fez o convite.

iG – Existe alguma identificação ideológica ou programáticas entre Kassab e o PC do B?
Rabelo – Proximidade ideológica do PC do B com os outros partidos é muito pequena porque cada partido tem sua ideologia. Com o Kassab não há uma identidade ideológica, há aproximações políticas. Se tivéssemos, por exemplo, a mesma ideologia que o PT nós seríamos do PT, faríamos parte do PT.

iG – O PC do B concorda com a forma como Kassab administra a cidade, com as políticas do governo dele para, por exemplo, a questão dos moradores de rua?
Rabelo – Não temos ainda uma aliança formal e é evidente que existem diferenças importantes do PC do B com ele. Uma das questões que a gente coloca como um divisor de águas é o tratamento dado aos movimentos sociais. E aí entra a questão dos moradores de rua. Para o PC do B, esta é uma questão que pesa muito. A aliança política é um processo. Na medida em que ele vem para o lado de cá tem que dar demonstrações políticas que nos identifiquem. O PC do B nunca coloca de lado a plataforma política. Ninguém pode apontar que o PC do B fez alianças de momento, fisiológicas. Como é que vou explicar para a militância? Isso é uma convergência que vai se dando.

iG – Já se falou que Kassab pode ir para o PMDB, fundar um partido, ir para o PSB. O PC do B acolheria o prefeito?
Rabelo – Os caminhos mais naturais para o prefeito são o PMDB ou o PSB. Podemos tê-lo como aliado. Acho até que tem havido progressos na negociação dele com o PSB. Outra possibilidade seria fundar um novo partido. Porque aí ele manteria o mandato e num segundo momento este partido poderia se fundir a outro da base aliada de Dilma como, por exemplo, o PSB. É uma saída, embora fundar um partido no Brasil hoje não seja uma coisa fácil.

iG – Apesar da aproximação com a base do governo Dilma, Kassab continua fiel a José Serra e mantém muitos serristas em cargos importantes da prefeitura. O rompimento com Serra é uma imposição para a aliança?
Rabelo - O PC do B não vê essas coisas como absolutas. O que interessa para o partido é a tendência que vai se esboçando. Na prática, o prefeito já está se identificando mais com a base de Dilma e formalmente ainda tem vínculos com Serra, mas é só formal.

iG – Mas ele mantém muitas pessoas ligadas a Serra na prefeitura.
Rabelo – Tudo isso não se faz da noite para o dia. Se a tendência fosse de manter o vínculo com a oposição se tornaria mais difícil uma aliança. Se ele tem compromisso com o Serra, e ele disse que tem o que mostra até uma certa honestidade ele, poderia dizer que deve a Serra compromissos que Serra realizou. Kassab diz claramente que o Serra foi leal com ele e agora está retribuindo a lealdade.

iG - O PC do B espera uma ruptura de Kassab com José Serra?
Rabelo - O Kassab vindo para a situação se afasta naturalmente do Serra. Ele vai criando essas condições, as pontes vão sendo queimadas e a essa altura não tem como haver retorno. A oposição está desbaratada, é natural que uma parte da oposição se desgarre
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Egito: milhões contra o governo pró-EUA




Denominada de “Marcha dos Milhões”, as manifestações que ocuparam as avenidas centrais do Cairo e de Alexandria, as maiores da história do país, pela saída imediata de Hosny Mubarak foram realizadas ao mesmo tempo que uma greve geral.

Enquanto a TV Al Jazeera reportava a presença de “Dois milhões na praça Tahrir e avenidas vizinhas”, o New York Times, aliando-se ao esforço de Mubarak que mandou parar os trens, disse que havia “mais de 100 mil no local”. De certa forma. Afinal dois milhões são mais de cem mil...

As demonstrações já duram uma semana e os partidos nacionalistas (os históricos Nasserista e Wafd), socialistas (como o Tagammu) e o secular Ghad (Partido do Amanhã), que recentemente formaram o Front Patriótico, lançaram manifesto apoiando a marcha e exigindo o fim do governo ditatorial; a instalação de um governo interino (sem a participação de integrantes do que chega ao fim), a libertação dos presos políticos e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Constituição

A oposição nacionalista exige em especial emendas corrigindo os artigos 76, 77 e 88 da Constituição atual. O artigo 76, por exemplo, estabelece cláusulas para que um partido, mesmo legalizado, possa lançar candidato à presidência. Uma delas é que tenha o apoio de 5% dos parlamentares da Câmara e Senado. Essa regra foi estabelecida em 2005. Antes disso, e por quatro mandatos de Mubarak, o presidente era indicado pelo parlamento e referendado.

Nas eleições previstas para esse ano, por exemplo, apesar da nova lei, não existiria a possibilidade de outro candidato, a não ser o próprio Mubarak ou alguém indicado por seu partido, PND, pois as eleições parlamentares (sob acusações de fraude) levaram à Assem-bleia 430 deputados de seu partido de um total de 454. No Conselho da Shuria (equivalente ao Senado) são 70 do PND e apenas 1 de outro partido. Como cumprir a cláusula dos 5%? Nas eleições de 2005, a composição era um pouco menos adversa à oposição e dois candidatos se lançaram à presidência, além de Mubarak. Mas não havia cabines indevassáveis para os votantes e, havia retratos dele ao lado das urnas.

Milhares de egípcios dormiram na praça que foi o epicentro das manifestações nestes primeiros sete dias e outras dezenas de milhares iam chegando com a alvorada e cantando palavras de ordem como “Aish, Houria, Karama Issanaya” (Pão, liberdade e dignidade humana) ou “Mubarak, o avião já te espera no aeroporto” e “Hosny, vá encontrar com seu amigo Ben Ali”. O exército expediu nota na véspera do ato declarando não haver intenção de disparar sobre “o grande povo egípcio”.

A questão que de fato mobilizou os trabalhadores, estudantes e ao final os militares a romper com o regime foi a entrega do patrimônio público a corporações estrangeiras, o congelamento do salário mínimo por 26 anos e as demissões em massa para facilitar a vida das corporações que adquiriam as estatais a preços aviltados.

Com a revolução nasserista de 1952, cujo primeiro ato de soberania foi a nacionalização do Canal de Suez, o Egito começou a realizar um processo de modernização e industrialização que iniciou a retirada do povo da miséria a que domínios como o otomano e depois o inglês o relegara. Com apoio da União Soviética construiu a Usina de Aswan, então a maior do mundo. Nasser fez com que, durante o período de 1960 a 1970, o salário dos trabalhadores dobrasse.

No governo de Mubarak, o desmonte do Estado iniciado por Anwar Sadat (sucessor de Gamal Abd El Nasser morto num desfile da independência após trair a causa palestina e árabe e fazer acordo isolado com Israel que manteve a ocupação dos territórios árabes na Palestina, Síria e Líbano). A submissão de Sadat incluía (no acordo de Camp David), para que Israel se retirasse, não colocar tropas em seu próprio território recuperado (a Península de Sinai) e manter o fornecimento de petróleo retirado pelos egípcios a Israel.

Corporações

Mubarak montou uma equipe para acelerar a venda das estatais. O plano era a entrega de 319. A resistência dos trabalhadores cresceu e 150 empresas permaneceram nas mãos do Estado. As entregues incluem uma fábrica de carros e uma de cimento e outra de cerveja. O número de trabalhadores nas estatais caiu de 1,3 milhão, ao final dos anos 1970, para 300 mil hoje.

As corporações passaram a extrair petróleo no Egito. Só a BP (British Petroeum) tem acesso a 40% da extração de petróleo e, em conjunto com BG (British Gas), a 75% do gás.

Dois dos mais tradicionais bancos estatais, o de Alexandria e o do Cairo, foram preparados para a venda. O primeiro foi cedido ao Banco da Grécia e o segundo é hoje uma sucursal do Barclays (segundo informa a Agência de Notícias Reuters).

Para reprimir os protestos, Mubarak mandou para as ruas a polícia que, após alguns dias de fazer chover gás lacrimogêneo e pancada sobre a população foi substituída pelos militares – com tradição nacionalista; foi de lá que saiu a revolução nasserista e foram as tropas egípcias as que deram o mais duro combate aos agressores israelenses - que saíram às ruas dentro de tanques mas foram se confraternizar com o povo, com manifestantes sendo saudados ou pulando para cima dos tanques.

Manobra de Mubarak, remodelando seu ministério, não iludiu a população que aumenta sua presença nas ruas exigindo: “Fora Mubarak”. Muito sábio, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyp Erdogan, sugeriu a Mubarak que “ouça o grito do povo”.

Fonte: Jornal Hora do Povo.

É hoje! Assembléia da rede municipal

Atenção Profissionais da Rede Municipal de Campos dos Goytacazes!!!


O SEPE convida toda a categoria da rede municipal para assembleia que será realizada amanhã (dia 03 de fevereiro) as 17h na sede do sindicato, no Ed. Ninho das Águias, sala 514.


Pauta:
*Fundeb;
*PCCS;
*assuntos gerais.


Atenciosamente,
Cristini Marcelino - Diretora do SEPE Campos

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

PSF, um caso mais extenso que novela mexicana


Incertezas, como num campo minado. Desta forma arrasta-se, desde 2008, o concurso do PSF em Campos. Inicialmente a prefeita alegava não haver caixa disponível para suprir tais servidores, mas o que é feito, por exemplo, com os impostos decorrentes das duas praças de pedágios da BR 101, com funcionamento iniciado em 2009?


Quando imaginávamos nos aproximar do fim do túnel, mais uma manobra para proibir os aprovados de assumirem seus cargos e para a permanência da “escravidão do século XXI”. Nos últimos dias, a Prefeitura Municipal anunciou que não pretende convocar todos os 740 aprovados, no entanto legislação municipal diz existir 740 vagas no Programa Saúde da Família, segundo a Lei 8005/2008. Enquanto isso a população necessitada de um atendimento especializado e domiciliar continua sem tê-lo.


Um novo horizonte é possível para Campos onde a Saúde seja uma das prioridades e as pessoas não sejam utilizadas como forma de se manter no poder.

A CAMPANHA DA "VEJA" CONTRA AS LUTAS HISTÓRICAS DOS PROFESSORES

Do Blog da Professora Odete

A revista Veja não economiza espaço quando se trata de divulgar os palpites de Gustavo Ioschpe sobre educação. Não haveria um articulista mais articulado para essa tarefa? Ou, pensando melhor, Ioschpe e Veja vivem em total harmonia. As afirmações de um, abalizadas pela outra, demonstram, apesar do tom peremptório e seguro, uma fragilidade teórico-prática impressionante.



Por Gabriel Perissé, no Observatório da Imprensa

Ioschpe costuma aludir a pesquisas (não especificando, na maioria das vezes, que pesquisadores são esses, que pesquisas são essas, onde consultá-las), dando como líquido e certo tal ou qual verdade. Na Veja de 13/10/2010, por exemplo, escreveu um artigo, "Educação de qualidade: de volta ao futuro", do qual destaco o seguinte trecho:
"[...] as pesquisas empíricas [...] mostram que a presença de computadores nas escolas não tem nenhum impacto sobre o aprendizado."
Contudo, já no final do século 20, pesquisadores do mundo inteiro reuniam experiências que demonstravam como a utilização de computadores e da internet tornam as práticas docentes motivadoras. Bastaria citar um estudo de 1998, "The emerging contribution of online resources and tools to classroom learning and teaching", e, para entender a necessidade de a escola ingressar na Idade Mídia, o livro de Don Tapscott, A Hora da Geração Digital (Agir Negócios, 2010).
Ainda nesse artigo de Ioschpe, outra pérola:
"Sindicatos mais poderosos pressionam para que o grosso da verba de educação seja gasto em aumentos salariais e diminuição do número de alunos em sala de aula, duas variáveis que não têm relação com a qualidade de ensino."
Tentativa de corrigir uma injustiça
Contudo, qualquer psicopedagogo, qualquer educador haverá de nos dizer que em turmas reduzidas o professor conseguirá dar atenção mais individualizada, poderá perceber melhor progressos e dificuldades de cada aluno, detectando os problemas e intervindo com mais eficácia. E, quanto aos salários, é difícil acreditar que pesquisadores (motivados por bolsas de estudos, talvez com ajuda do exterior...) dediquem seu tempo para descobrir que aumentos salariais não motivam professores...
Em dezembro do ano passado, visivelmente abalado com a vitória de Dilma Rousseff, Ioschpe, em novo artigo (Veja, 29/12/2010), intitulado "Aumentaram os gastos, mas a qualidade...", teve a coragem de escrever:
"[...] esse governo [federal] foi extremamente generoso nas concessões e omisso nas cobranças. Instituiu um piso nacional de salário para o magistério, atualmente em 1.024,00 reais. O salário médio do professor brasileiro subiu de 994 reais em 2003 para 1.527,00 reais em 2008 [...]. O governo, porém, não fez nenhuma intervenção mais forte nos cursos de formação de professores das próprias universidades federais, que continuam despejando no mercado profissionais despreparados para o exercício da docência."
Ora, não se pode usar o advérbio "extremamente" em relação a uma generosidade nada extrema. Aliás, nem de generosidade se trata, mas da tentativa (tardia!) de corrigir uma injustiça: o salário de um professor de escola pública com diploma universitário equivale, hoje, a 60% do que recebem, em média, profissionais com o mesmo nível de ensino.
Realidade se resume a poucas palavras

E não são as universidades federais que "despejam" professores despreparados no mercado! Na década de 1990, calculava-se que 80% dos professores da rede pública estadual de São Paulo formaram-se em faculdades privadas. Em 2008, o MEC divulgou estudo segundo o qual 70% dos professores aptos a lecionar no ensino básico do Brasil formaram-se em faculdades e universidades particulares.
Andar na contramão da realidade pode provocar acidentes. No caso de Ioschpe, suas declarações entram em rota de colisão com o óbvio. Nem precisaríamos recorrer a teses de doutorado ou pesquisas financiadas por bancos ou assemelhados. Em novembro e dezembro de 2010, e neste mês de janeiro, o articulista publicou em três partes um artigo cujo título não é nada ambicioso: "Como melhorar a educação brasileira". Basta-nos ler (e brevemente comentar) alguns dos seus melhores momentos...
"Muitos professores chegam atrasados a suas aulas. Perdem tempo fazendo chamada, dando recados e advertências. É um desperdício" (Veja, 10/11/2010).
Correto. Mas essa constatação é insuficiente. Por que muitos professores chegam atrasados? E por que a chamada é tão prolongada (ao mesmo tempo que exigida pela burocracia escolar)? E por que cabe aos professores darem recados e advertências? Se Ioschpe fizesse as perguntas certas aos que vivem essas realidades estaria realizando verdadeira pesquisa empírica e acabaria por descobrir uma realidade que se pode resumir em poucas palavras: professores sobrecarregados e turmas com grande número de alunos.
Uma breve pesquisa informa o óbvio
Outro momento de Ioschpe, influenciado pelos noticiários sobre o Morro do Alemão:
"É curioso: nossos governantes criaram coragem para invadir o Morro do Alemão, mas as universidades públicas continuam sendo consideradas território perigoso demais para a ação saneadora do estado. Esculachar bandido armado de metralhadora é mais fácil do que peitar os doutores da academia, que permanecem livres para perpetrar seus delitos intelectuais" (Veja, 22/12/2010).

Mais do que curioso... é incrível que alguém possa, impunemente, comparar bandidos e professores universitários! Que tipo de "limpeza" deveria ser feita nas universidades públicas? Não seria o caso de imaginar que as particulares merecem igual ou maior rigor?
Um último parágrafo:
"Em termos de regime de trabalho, ao contrário dos desejos dos sindicatos, a maioria das pesquisas mostra que não faz diferença, para o aprendizado do aluno, quantos empregos o professor tem, se trabalha em uma escola ou mais" (Veja, 19/01/2011).

De novo, impressiona ler uma afirmação dessas. Será que, além de desconhecer a escola pública, Ioschpe ignora a realidade vantajosa das escolas particulares, cujos alunos obtêm os melhores resultados no Enem?
Uma breve pesquisa na internet informa o óbvio. As melhores escolas possuem laboratórios, computadores e biblioteca. Seus professores são bem remunerados, o que lhes permite dedicação exclusiva, ou quase exclusiva, com tempo necessário para prepararem aulas inovadoras, em geral empregando recursos tecnológicos.