segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sepe convoca rede estadual para ir à Alerj nesta terça (dia 1º de setembro) para impedir votação do Projeto 2474

Bancada governista da Alerj descumpre acordo com profissionais das escolas estaduais e, em vez de fazer o tramitar o projeto de Lei 2474 do governador, que tira direitos do plano de carreira pelas comissões, decidiram manter a “urgência urgentíssima” para que o projeto entre em votação no plenário nesta terça.


O Sepe convocou uma paralisação emergencial nas escolas estaduais nesta terça-feira (dia 1º de setembro) para que os profissionais possam realizar protesto na Alerj, a partir das 14h, contra a entrada em regime de urgência na pauta de votação do projeto de Lei 2474, do governador Sérgio Cabral, que propõe a incorporação da gratificação do Nova Escola em seis anos e altera o plano de carreira da educação estadual, diminuindo a diferença entre os níveis da carreira da categoria de 12% para 7,5%.

Desde a semana passada, a educação estadual se encontrava em estado de greve para acompanhar a tramitação do projeto de lei na Alerj. Em assembléia realizada nas escadarias da Alerj, no dia 26 de agosto, a categoria tinha decidido fazer uma paralisação no dia da votação do projeto para protestar e pressionar os deputados a garantirem a inclusão de emendas no projeto que mantenham o atual plano de carreira e incorporem a gratificação do Nova Escola de uma vez, conforme promessa do governador na campanha eleitoral de 2006.



Protesto na semana passada já tinha impedido a votação do projeto 2474


Na semana passada, a presença de centenas de profissionais na ALERJ já tinha garantido o adiamento da votação do projeto. Com a pressão da categoria, o líder do governador na Assembléia Legislativa, deputado Paulo Mello (PMDB), e o presidente da Comissão de Educação da ALERJ, Comte Bittencourt (PPS), assumiram publicamente que o projeto não seria votado antes de tramitar por todas as comissões da Alerj, o que garantiria tempo para que os profissionais discutissem com os deputados a inclusão de emendas que alterassem o seu conteúdo.

A rede estadual exige que seja retirada do PL 2472 a diminuição dos 12% e que a incorporação da gratificação seja feita de forma imediata.



“Aumento” do governador vai representar perda salarial para diversos níveis da categoria


Um estudo do Sepe concluiu que um professor que está se aposentando hoje, no nível 9, recebe 2,5 salários mínimos. Com a incorporação total da gratificação somente daqui a seis anos e a redução pra 7,5% entre os níveis, como propõe o PL, em outubro de 2015, o mesmo profissional no nível 9 receberá 1,9 salário mínimo. Ou seja, se o PL 2474 for aprovado da forma como está hoje, ocorrerá uma queda de 58% no salário de um professor nível 9 em 2015.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Reportagem publicada hoje no Monitor Campista

Professores param por 24 horas

DA REDAÇÃO

Paralelo à audiência pública para discutir o Projeto de Lei número 2474, que incorpora as gratificações do Nova Escola aos salários básicos dos servidores da rede estadual - que será realizada hoje, às 10h, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) - os professores do estado irão realizar uma paralisação de 24 horas. A classe alega que o projeto de lei diminuiu de 12% para 7,5% a diferença entre níveis salariais. Em Campos, onde há 4 mil professores estaduais, também será realizada uma manifestação, às 15h, na Praça Salvador.

Um dos coordenadores do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), Edson da Silva Braga, explicou que esse projeto de lei irá defasar o plano de carreira de todos os servidores de educação no Rio de Janeiro que, se tratando somente dos professores, chega a cerca de 70 mil funcionários no estado. Segundo ele, a proposta do governo de reduzir a tabela de nível salarial de 01 a 12 para 01 a 09 irá gerar um abatimento de até R$ 649 no salário do servidor. Caso fosse aceito o projeto, 2015 seria o ano da última parcela anual da incorporação do Nova Escola.

“Somos contra esse projeto de lei. Nossa mobilização é para que esse projeto não seja aprovado, pois eles não estão cumprindo o nosso plano de carreira, que é uma das principais vitórias da classe. O aumento final, em 2015, é muito aquém das nossas necessidades”, reclamou o coordenador.

Edson ainda salientou que o resultado desse projeto pode atingir diretamente a educação. “Na maioria das vezes, o professor faz muito além de dar aulas. Ele é amigo e até trabalha o lado psicologico dos alunos e pais. O governo deveria incentivar a profissão e não apresentar um projeto, que, somente aparentemente, nos beneficia”, lamentou.

No encontro da Alerj estarão presentes secretários de Estado de Economia e Planejamento, Sérgio Ruy Barbosa, e de educação, Tereza Porto, além de representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ) e da União dos Professores Públicos no Estado (Uppes). Para falar sobre o assunto, ninguém da Secretaria Estadual de Educação foi encontrado.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Melhorias

“Queremos que a cidade melhore desta forma: que as pessoas não só tenham profissão, mas também emprego”.


Professora Odete, no Programa Ronda Continental.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

EDUCAÇÃO: VAMOS LUTAR PELO NOSSO PLANO DE CARREIRA

EDUCAÇÃO: VAMOS LUTAR PELO NOSSO PLANO DE CARREIRA

Dia 26 de agosto teremos paralisação na rede estadual de ensino em protesto contra a redução de 12% para 7.5% entre os níveis no plano de carreira da Educação.
Em nossa cidade será realizado um manifesto no calçadão a partir das 3 horas da tarde. Contamos com a participação de todos os profissionais pois não podemos ficar de braços cruzados.
Na quarta-feira também haverá uma audiência pública na ALERJ com os Deputados da Educação. VAMOS MANDAR EMAIL PARA ELES REINVINDICANDO A GARANTIA DOS NOSSOS DIREITOS JÁ ADQUIRIDOS! Não podemos deixar que tirem de nós o que já foi conquistado. Segue abaixo a listagem com o email de todos os deputados do nosso Estado.

PSDB
Lider da Bancada: Luiz PauloAdemir Melo - ademirmelo@alerj.rj.gov.br
Alice Tamborindeguy - alicetamborindeguy@alerj.rj.gov.br
Gerson Bergher - gersonbergher@alerj.rj.gov.br
Glauco Lopes - glaucolopes@alerj.rj.gov.br
Luiz Paulo - luizpaulo@alerj.rj.gov.br
Mario Marques - mariomarques@alerj.rj.gov.br

PMDB
Lider da Bancada: Aparecida Gama
Alair Correa - alaircorrea@alerj.rj.gov.br
Aparecida Gama - aparecidagama@alerj.rj.gov.br
Délio Cesar Leal - delioleal@alerj.rj.gov.br
Dica - Jorge Moreira Theodoro - dica@alerj.rj.gov.br
Domingos Brazão - domingosbrazao@alerj.rj.gov.br
Edson Albertassi - edsonalbertassi@alerj.rj.gov.br
Fábio Silva - fabiosilva@alerj.rj.gov.br
Graça Matos - gracamatos@alerj.rj.gov.br
Jorge Picciani - jorgepicciani@alerj.rj.gov.br
Nelson Gonçalves - nelsongoncalves@alerj.rj.gov.br
Nilton Salomão - niltonsalomao@alerj.rj.gov.br
Noel de Carvalho - noeldecarvalho@alerj.rj.gov.br
Paulo Melo - paulomelo@alerj.rj.gov.br
Pedro Augusto - pedroaugusto@alerj.rj.gov.br
Renato de Jesus - renatodejesus@alerj.rj.gov.br
Roberto Dinamite - robertodinamite@alerj.rj.gov.br e dinamite@rd.com.br
Sula Do Carmo - suladocarmo@alerj.rj.gov.br

PSB
Lider da Bancada: Dr. Wilson Cabral
Armando José - armandojose@alerj.rj.gov.br
Dr. Wilson Cabral - DrWilsonCabral@alerj.rj.gov.br
Rogerio Cabral - rogeriocabral@alerj.rj.gov.br
Ronaldo Carlos de Medeiros - ronaldomedeiros@alerj.rj.gov.br

PT
Lider da Bancada: Rodrigo Neves
Alessandro Molon - alessandromolon@alerj.rj.gov.br e molon@molon.com.br
Gilberto Palmares - gilbertopalmares@alerj.rj.gov.br
Inês Pandeló - inespandelo@alerj.rj.gov.br
Rodrigo Neves - rodrigoneves@alerj.rj.gov.br

DEM
Lider da Bancada: Pedro Fernandes
Atila Nunes - atilanunes@alerj.rj.gov.br
Graça Pereira - gracapereira@alerj.rj.gov.br
João Pedro Figueira - joaopedro@alerj.rj.gov.br
Marcelino D Almeida - marcelinodalmeida@alerj.rj.gov.br
Pedro Fernandes - pedrofernandes@alerj.rj.gov.br
Rodrigo Dantas - rodrigodantas@alerj.rj.gov.br

PTB
Lider da Bancada: Iranildo Campos
José Nader - josenader@alerj.rj.gov.br
Marcus Vinicius - marcusvinicius@alerj.rj.gov.br
Raleigh Ramalho - raleighramalho@alerj.rj.gov.br

PC do B
Lider da Bancada: Fernando Gusmão
Fernando Gusmão - fernandogusmao@alerj.rj.gov.br

PVLider da Bancada: André do PV
André Lazaroni - andrelazaroni@alerj.rj.gov.br

PT do B
Lider da Bancada: Jodenir Soares
Jodenir Soares - jodenirsoares@alerj.rj.gov.br

PP
Lider da Bancada: Dionísio Lins
Dionisio Lins - dionisiolins@alerj.rj.gov.br
Flávio Bolsonaro - flaviobolsonaro@alerj.rj.gov.br

PDT
Lider da Bancada: Paulo Ramos
Cidinha Campos - cidinhacampos@alerj.rj.gov.br
Marcos Soares - marcossoares@alerj.rj.gov.br
Olney Botelho - olneybotelho@alerj.rj.gov.br
Paulo Ramos - pauloramos@alerj.rj.gov.br
Wagner Montes - wagnermontes@alerj.rj.gov.br

Sem Partido
Altineu Cortes - altineucortes@alerj.rj.gov.br
Jorge Babu - jorgebabu@alerj.rj.gov.br
Marcos Abrahão - marcosabrahao@alerj.rj.gov.br

PPS
Lider da Bancada: Comte Bittencourt
André Corrêa - andrecorrea@alerj.rj.gov.br
Comte Bittencourt - comtebittencourt@alerj.rj.gov.br

PSC
Lider da Bancada: Marco Figueiredo
Audir Santana - audirsantana@alerj.rj.gov.br
Coronel Jairo - coroneljairo@alerj.rj.gov.br
Marco Figueiredo - marcofigueiredo@alerj.rj.gov.br
Sabino - sabino@alerj.rj.gov.br
Tucalo - tucalo@alerj.rj.gov.br

PR
Lider da Bancada: Edino Fonseca
Caetano Amado - caetanoamado@alerj.rj.gov.br
Edino Fonseca - edinofonseca@alerj.rj.gov.br
Waldeth Brasiel - waldethbrasiel@alerj.rj.gov.br

PMN
Lider da Bancada: Geraldo Moreira
Alessandro Calazans - alessandrocalazans@alerj.rj.gov.br
Geraldo Moreira da Silva - geraldomoreira@alerj.rj.gov.br

PSDC Lider da Bancada: João Peixoto
João Peixoto - joaopeixoto@alerj.rj.gov.br

PRB
Lider da Bancada: Beatriz Santos
Beatriz Santos - beatrizsantos@alerj.rj.gov.br

PHS
Lider da Bancada: Anabal
Anabal - anabal@alerj.rj.gov.br
Marcelo Simão - marcelosimao@alerj.rj.gov.br

PSOL
Lider da Bancada: Marcelo Freixo
Marcelo Freixo - marcelofreixo@alerj.rj.gov.br

Assembléia da rede estadual tira posição sobre reposição de aulas

Na assembléia geral da rede estadual realizada no sábado, a categoria deliberou dizer não ao calendário de reposição imposto pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) e que já começou a valer no dia 22 de agosto, sábado. A assembleia votou pelo repúdio ao calendário da secretária e apontou como alternativa para ele a readequação dos conteúdos, sem reposição de dias, por entender que os motivos do atraso na volta às aulas ocorreram por motivos de saúde pública, tendo em vista que o país vive uma epidemia de gripe H1N1, também chamada de gripe suína e que as unidades escolares públicas não dispõe das condições sanitárias ideiais, capazes de garantir a saúde de profissionais de educação e dos alunos.

Rede estadual sob ataque: Sepe convoca categoria para audiência publica sobre o Plano de Carreira na próxima quarta (DIA 26/8) na ALERJ

O Sepe convoca os profissionais de educação da rede estadual para uma audiência pública convocada pela Comissão de Educação da Alerj, que irá discutir o conteúdo do Projeto de Lei 2474, do governador Sérgio Cabral, que ataca o plano de carreira da categoria, além de instituir a incorporação da gratificação do Programa Nova Escola em parcelas que levará seis anos para ser concluída. Os profissionais de educação estão em estado de mobilização contra o ataque do governo do estado contra o nosso plano de carreira. No sábado, o Sepe fará uma assembléia geral, a partir das 14h, no Sind-Justiça (Travessa do Paço 23 - 13º andar), onde a categoria vai decidir as estratégias de mobilização contra as últimas investidas do governador Sérgio Cabral contra a educação estadual.

sábado, 22 de agosto de 2009

Professora Odete em entrevista no Programa Ronda Continental


Na noite desta última quinta-feira (20/08), a presidente do PCdoB - Campos dos Goytacazes , Profª. Odete Rocha foi a convidada do Programa Ronda Continental, apresentado pelo jornalista Antônio Carlos Paes.


Após as devidas apresentações, indagada como se encontra o PCdoB hoje em Campos, Professora Odete, disse que o partido vive um momento importante, de crescimento de suas bases e de sua participação política no município. Também ressaltou que o partido está preparando sua 14ª Conferência Municipal, aglutinando forças, novos filiados, de forma a ampliar sua participação nas associações de moradores, sindicatos de classe e tudo isso faz parte do processo da Conferência Estadual e por conseqüência do 12º Congresso Nacional do PCdoB, onde há debates sobre as problemáticas locais e as teses para o Congresso Nacional.


Em seguida, Antônio Carlos Paes perguntou qual foi a lição tirada com as eleições de 2008 que teve o aspecto positivo para o PCdoB, pois a Profª. Odete passou a ser mais conhecida no município e como isto contribui para os próximos anos. Profª. Odete remeteu-se ao ano de 2006, em que ela foi vice do Dr. Makhoul naquelas eleições fora de época em nossa cidade. E que este processo faz parte das novas orientações do Partido nacionalmente, onde a partir de sua política, protagonizar as eleições nos locais onde for possível. Buscando assim, o crescimento do PCdoB em âmbito nacional. E, em Campos, de forma acertada, isto tem acontecido. O PCdoB cresce, se dinamiza e de forma ousada atua na cidade. Participa das eleições com candidatura a prefeito e nominata de vereadores, como em várias cidades do Estado do Rio e do Brasil. Avaliou que o resultado político foi extremamente positivo e que a lição tirada é que para se chegar a um objetivo os meios não podem justificar os fins! Para Profª. Odete, 2008 lhe fez ver que é possível virar o jogo político. Através de um projeto sério de desenvolvimento, projeto este que deixou de ser apenas do PCdoB e se fortaleceu após a vitória política no último pleito.


Na entrevista Profª Odete ressaltou a importância do processo democrático, da participação da sociedade na construção de um programa de desenvolvimento para Campos.


Questionada sobre a valorização das comunidades, Profª. Odete disse ser essencial a participação destas nas gestões públicas, pois somente assim é possível saber as reais necessidades e não através de mapeamentos. E foi além, dizendo de maneira enfática que ela conhece as necessidades de várias comunidades já que trabalha na Escola Municipal Dr. Luiz Sobral, e também trabalha na Escola Técnica Estadual Agrícola Antonio Sarlo. E aos surpresos com o fato de Professora Odete continuar lecionando, a mesma afirmou: “Gosto de dar aula, tenho profissão, sou professora. Vivo do meu trabalho. E sou militante política desde a juventude”.



Ao final, após agradecer ao apresentador Antônio Carlos Paes, Professora Odete se emocionou ao mandar um abraço “para as crianças”, seus alunos, das escolas em que trabalha, e concluiu “Não abrirei mãos das minhas convicções..., pois estas para ela, com o tempo tornaram-se firmes!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Marina sai do PT sem deixar claras suas pretensões políticas

A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou nesta quarta-feira (19) sua desfiliação do PT, partido ao qual esteve ligada por quase 30 anos. A senadora acreana diz que ainda não tomou a decisão de se filiar a um novo partido, mas é de conhecimento público que sua saída do PT tem como objetivo filiar-se ao PV para disputar a presidência da República em 2010.



O desligamento do PT, que já estava sendo preparado há quase um mês, foi anunciado pela própria senadora durante coletiva de imprensa na Comissão de Meio Ambiente. Marina também enviou uma carta ao presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, oficializando sua saída do partido. Na carta, a senadora justifica a desfiliação dizendo que "é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País".

Na carta, a senadora também critica o modelo de desenvolvimento que vem sendo historicamente aplicado no país: "Tenho a firme convicção de que essa decisão (de deixar o PT) vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida."

À frente do Ministério do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, Marina tentou defender seu ponto de vista em relação à política de desenvolvimento, mas não teve força política suficiente para travar esta batalha com setores como o do agronegócio, o que acabou resultando em seu desligamento do Ministério em maio do ano passado.

"Sanear" o PV

Perguntada sobre a provável filiação ao PV e sobre como irá atuar dentro de um partido pequeno e cheio de caciques pouco comprometidos com a causa ambiental, Marina desconversou. Disse que a decisão de se filiar a um novo partido ainda não está tomada. "Para fazer um diálogo de filiar-me ao PV, que foi o convite que me foi feito, eu precisava primeiro refletir se iria ou não sair do Partido dos Trabalhadores", disse Marina a jornalistas. "A partir de agora, me sinto livre para fazer essa transição dentro daquilo que me dispus, uma discussão em termos programáticos."

Apesar da aparente indefinição, a senadora teceu comentários sobre seu novo partido. "Nunca tive a ilusão, nos últimos 10, 15 anos, de que os partidos seriam perfeitos", afirmou a senadora. "Hoje tenho a clareza de que todos têm problemas, e todos têm problemas a serem saneados, a realidade do PV não será diferente."

Marina frisou que foi a disposição do PV de rever sua estrutura e programa que a levou a avaliar a proposta de filiação. Ela ressalvou, contudo, não ter a intenção de prejulgar ninguém do partido e afirmou que, do ponto de vista programático, Sarney Filho, uma das principais lideranças do PV, sempre esteve identificado com a causa ambiental.

No site do Partido Verde, a aparente indefinição de Marina não existe. Com o afirmativo título “Tudo acertado: a bola com Marina!”, Alfredo Sirkis dá como favas contadas o ingresso da senadora no PV e sua candidatura presidencial em 2010. Segundo Sirkis, a filiação acontecerá “no dia 30 de agosto, domingo, em São Paulo, numa convenção nacional festiva do PV precedida de uma reunião da Executiva Nacional”.

Na ocasião, segundo o líder verde, “Marina indicará nove integrantes de sua equipe que, juntamente como ela própria, ingressarão na Executiva Nacional do PV e, juntamente com onze membros atuais da Executiva, formarão uma Coordenação Nacional destinada a tratar, prioritariamente, da elaboração do texto base para os novos programas partidário (20 anos) e de governo (5 anos) pela campanha presidencial”.

Os novos programas partidário e de governo serão fechados no Congresso Verde previsto para novembro.

Candidatura anti-Dilma?

No PT, a saída de Marina já era esperada e foi recebida sem alarde. Alguns líderes petistas temem que a trajetória política da senadora seja maculada por uma eventual ligação com a oposição direitista.

O senador João Pedro (PT-AM), disse estar preocupado com esta hipótese: “(Tenho a preocupação) De a história dela, uma história exemplar, encontrar dificuldades por conta da dubiedade e da aproximação do PV com o projeto do PSDB, haja vista que a maioria do PV está aliada aos tucanos”, afirmou o senador ao site Terra Magazine.

O dirigente petista Valter Pomar é mais duro na análise: “Os que comemoram (a saída de Dilam do PT), não acreditam e geralmente não desejam que Marina possa ser presidente; acham apenas que ela pode atrapalhar uma terceira vitória do PT. Ou seja: sua candidatura é vista como linha auxiliar do PSDB, mais ou menos como o Partido Verde se comporta em vários estados do Brasil”, afirmou Pomar em artigo recente.

Já a oposição vê prováveis ganhos com uma candidatura Marina. "As possibilidades da candidatura de Marina estão relacionadas diretamente às dificuldades da candidatura de Dilma", avaliou o senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB.

Na semana passada, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) já havia anunciado a intenção de formar um palanque duplo no Rio, com ele próprio como candidato ao governo estadual pelo PV, mas apoiando dois candidatos à presidência: José Serra e Marina Silva.

Guerra admitiu que Marina criaria algumas dificuldades ao PSDB no Rio de Janeiro no caso de se confirmar a candidatura do deputado Fernando Gabeira, do PV, que costura um apoio nacional aos tucanos. "Mas é claramente um problema que afeta o discurso do presidente Lula e do PT."

Mandato preservado

Marina Silva exerce seu segundo mandato no Senado. Seu desligamento do PT pode, em tese, ocasionar a perda do mandato. Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que, a partir de 16 de outubro de 2007, senadores podem ter seus mandatos cassados caso não apresentem justificativa para a troca de legenda. O TSE prevê que a mudança de agremiações só pode ocorrer em caso de incorporação ou fusão de legendas, de criação de um novo partido político, de grave discriminação pessoal do filiado ou de "mudanças substanciais ou desvio reiterado do programa partidário".

Ainda que o PT não peça o mandato da senadora de volta, a legislação eleitoral prevê que entidades com interesse jurídico no caso possam recorrer para garantir a vaga no Senado. Neste caso, poderiam pleitear o assento de Marina Silva no Senado o Ministério Público Eleitoral (MPE) ou os suplentes dela, como Sibá Machado. Machado ocupou o cargo de senador por mais de cinco anos enquanto Marina Silva era ministra do Meio Ambiente do governo Lula.

Mas segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), seu partido não pretende entrar na justiça para pedir o mandato da senadora. “- O presidente Ricardo Berzoini, o candidato à presidência José Eduardo Martins Cardoso e todos os senadores do PT já dissemos todos que não é a nossa intenção solicitar à Justiça Eleitoral. Eu recomendo ao PT que não reivindique à Justiça Eleitoral, sobretudo porque ela tem valores semelhantes aos nossos.”, disse o senador.

Politicamente, o PT também não vê vantagem em pedir a cadeira de Marina, já que falta apenas um ano e meio para terminar o mandato da ex-petista e uma disputa jurídica com este objetivo apenas reforçaria o papel de vítima que a senadora busca encenar.